As urnas de 2026 acrescentaram um novo elemento ao cenário político de Andorinha: a votação majoritária ficou fortemente concentrada no campo petista, enquanto as escolhas para deputado estadual e federal foram bem mais distribuídas. Esse contraste se soma a uma mudança interna já conhecida no município, o rompimento político entre o prefeito Adilberto Evangelista e o vice Vagner Lavor.

O resultado não permite prever a eleição municipal de 2028. Ele mostra, porém, quais candidaturas conseguiram mobilizar votos agora e quais redes partidárias chegam ao próximo ciclo com presença mensurável.

Jerônimo fecha com 81,46% em Andorinha

Com 100% da totalização municipal, Jerônimo Rodrigues recebeu 8.610 votos, ou 81,46% dos válidos para governador. ACM Neto terminou com 1.947 votos, 18,42%.

No Senado, o desenho foi semelhante: Rui Costa teve 7.836 votos e Jaques Wagner 7.457, ocupando as duas primeiras posições. Angelo Coronel terminou com 1.587 e João Roma com 1.378.

Deputados mostram um eleitorado mais repartido

Para a Assembleia Legislativa, Laerte do Vando liderou com 3.046 votos e 28,57%, seguido por Bobô, com 2.124 votos e 19,92%, e Dr. Thiago Gilleno, com 2.119 e 19,87%.

Para a Câmara dos Deputados, Gabriel Nunes liderou com 2.883 votos e 27,10%. Daniel terminou com 1.349 votos; Elmar, 1.094; e Adolfo Viana, 911.

A votação majoritária aponta forte concentração em um campo político, mas as proporcionais revelam alianças e preferências mais fragmentadas.

O rompimento entre prefeito e vice muda a leitura para 2028

Antes das eleições gerais, o Portal já havia registrado o rompimento entre Adilberto Evangelista e Vagner Lavor, eleitos na mesma chapa em 2024. Essa separação é relevante porque 2028 exigirá nova composição local: grupos que dividiram palanque municipal há dois anos podem chegar separados ao próximo pleito.

Os números de 2026 não informam para qual lado irão os eleitores de cada candidatura. Também não permitem atribuir votos de Jerônimo, Rui, Wagner ou deputados específicos diretamente ao prefeito, ao vice ou a qualquer liderança municipal.

O que pode ser observado é a existência de diferentes redes eleitorais funcionando simultaneamente dentro de Andorinha.

O que o resultado coloca no radar

Para 2028, três pontos passam a merecer acompanhamento. O primeiro é a reorganização da base governista após o rompimento entre prefeito e vice. O segundo é a força do campo petista nas disputas majoritárias. O terceiro é a pulverização do voto proporcional, que mostra espaço para diferentes lideranças estaduais e regionais.

Essa combinação impede uma leitura simples de “direita contra esquerda” na eleição municipal. A política local tende a ser definida por alianças, avaliação da gestão, composição de chapa, vereadores, lideranças comunitárias e capacidade de cada grupo transformar relações estaduais em organização municipal.

2026 mede articulação; 2028 será outra eleição

O Portal não trata voto para governador ou deputado como transferência automática para prefeito. Uma eleição municipal possui agenda própria e, em cidades menores, relações pessoais e estruturas locais podem pesar tanto quanto as siglas.

Por isso, 2026 deve ser lido como um termômetro de articulação. Ele mostra quem conseguiu entrar no município, quem concentrou votos e quais campos têm presença institucional. Não determina quem disputará ou vencerá em 2028.

Esta reportagem integra a série 2026 → 2028 no Piemonte. Leia também o mapa das alianças nos nove municípios, os resultados dos candidatos ligados ao Piemonte e a análise já publicada sobre Senhor do Bonfim com foco em 2028.

Fonte: resultados oficiais da Justiça Eleitoral integrados ao Portal do Piemonte, com 100% da totalização municipal.